SETOR

O setor sucroalcooleiro Brasileiro passou por profundas alterações nos últimos 30 anos, as quais atingiram todos os segmentos econômicos relacionados com o mesmo. O agente gerador destas transformações foram, sem sombra de dúvida, agentes externos de mercado. Apesar de antes de 1975 o governo do Estado de São Paulo ter criado um programa de incentivos ao setor sucroalcooleiro, quando apareceram as primeiras usinas de grande porte e com estrutura industrial, a maioria das usinas existentes na época estavam voltadas quase que exclusivamente para a produção de açúcar, sendo o setor constituído basicamente por empresas familiares de pequeno e médio porte, as quais mantinham uma estrutura administrativa e técnica não muito diferente daquela empregada no inicio do século XX por seus fundadores. Em meados da década de 70, com a necessidade de redução de importações, o governo Brasileiro criou o Proálcool1, o qual provocou o primeiro grande impacto no setor sucroalcooleiro Brasileiro, gerando a primeira grande onda transformista.

O Proálcool teve por objetivo criar uma fonte alternativa de combustível para veículos providos de motor a explosão com ciclo Otto e fomentar a criação de emprego no Brasil. Este programa, apesar de suas falhas, injetou considerável soma de capital no setor fomentando, o inicio do desenvolvimento tecnológico em todos os segmentos econômicos relacionados com a produção de álcool a partir da cana de açúcar, principalmente. Durante o programa Proálcool foram pesquisadas outros tipos de biomassa para a produção de álcool combustível, dentre as quais se destacaram as experiências realizadas com a mandioca pela PETROBRAS e com a hidrolise da madeira na COALBRA, estas experiências demonstraram a viabilidade técnica dos processos e a supremacia econômica da cana-de-açúcar em relação as demais matérias primas estudadas, consagrando esta ultima como praticamente imbatível no Brasil, com a vantagem da cana ter um balanço energético positivo, se considerarmos todo o processo produtivo. As demais matérias primas, atualmente utilizadas, apresentam um balanço energético negativo.

Durante a década de 90, após o fim do Proálcool, o setor sucroalcooleiro deixou de receber recursos subsidiados pelo Governo Brasileiro, provocando uma nova e grande transformação. Neste período o setor iniciou a sua efetiva profissionalização e modernização, visando sobreviver competitivamente no mercado nacional e internacional, sem subsídio governamental.

No início deste século, com a conscientização a nível mundial da necessidade de uma nova fonte renovável de energia para substituir o Petróleo e do Protocolo de Kyoto para a preservação do meio ambiente, aparece um novo agente externo que deverá provocar profundas alterações no Setor Sucroalcooleiro Brasileiro, pois se considerarmos todo o processo agroindustrial, a cana-de-açúcar gera créditos de carbono.

A tecnologia atualmente empregada pelo setor na área agrícola, pode ser considerada como de ponta a nível mundial, em especial aquelas utilizadas na região centro-sul do Território Nacional. A associação de três fatores independentes: a qualidade do solo, as condições climáticas e a tecnologia de ponta desenvolvida na área agrícola; colocaram a cana-de-açúcar Brasileira como uma das mais promissoras fontes de biomassa, ou seja, de energia renovável do planeta.

A grande maioria das usinas que estão operando comercialmente na atualidade, já possuem administrações que atuam de forma profissional ou estão em fase de profissionalização, utilizando ferramentas e conceitos administrativos atualizados, tanto nas questões econômicas, como nos aspectos de preservação do meio ambiente e de segurança e higiene do trabalho.

A logística de distribuição do álcool para combustível está estruturada de forma consolidada no País, todavia carece de investimentos na construção de "alcooldutos", para distribuição interna e nas instalações portuárias para a exportação do produto. A PETROBRAS é a empresa que lidera este setor e possui incontestável experiência internacional nesta área.

O setor industrial das usinas está estruturado para atender competitivamente a produção de açúcar e de álcool etílico. Algumas usinas já implantaram ou estão em fase de implantação de sistemas de cogeração de energia elétrica, sendo estas últimas as que possuem um projeto mais otimizado energeticamente. A área industrial das usinas é a que mais carece de atualização tecnológica, se utilizarmos o conceito atual de biorefinaria.

As empresas que atualmente fornecem insumos ao setor sucroalcooleiro, bem como as de bens de capital, apresentam de uma forma geral boa saúde financeira, estão bem estruturadas e possuem capacidade para atender a demanda atual e o eventual crescimento do setor.

Fonte: www.novacana.com

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